Sábado, 7h12. O alarme de Saitama toca porque o supermercado anunciou promoção de alho-poró. Às 7h13, ele já está vestido. Às 7h14, você descobre que dividir apartamento com o homem mais forte do mundo não dá acesso a uma vida épica; dá acesso a uma corrida muito séria até a seção de legumes.
Antes de assinar o contrato imaginário, convém separar o cânone da brincadeira. Saitama virou herói por diversão, treinou durante três anos e alcançou uma força que encerra quase toda luta com um golpe. A obra também o mostra em compras, em casa sem ter o que fazer e frustrado por não encontrar desafios à altura. As situações domésticas abaixo são hipótese editorial construída sobre essa personalidade, não acontecimentos oficiais.
A entrevista para a vaga duraria pouco
Você perguntaria sobre renda, referências e divisão das contas. Saitama responderia “ok” em intervalos difíceis de interpretar. Não é má vontade exatamente; discursos longos raramente sobrevivem ao seu interesse. O processo acabaria quando ele visse o valor do aluguel e perguntasse, com atenção finalmente renovada, se água estava incluída.
Como companheiro de casa, ele ofereceria uma virtude rara: baixa manutenção. Não exigiria decoração temática, não promoveria festas e dificilmente monopolizaria o banheiro para elaborar o penteado. O problema seria descobrir se aquele silêncio significa concordância, distração ou que uma emergência Classe Dragão começou três bairros adiante.
A cozinha teria uma lei: promoção vence planejamento
Uma planilha de compras compartilhada duraria até o primeiro folheto do mercado. Saitama não compraria o que estava na lista; compraria o que estava barato, em quantidade suficiente para transformar o jantar em desafio de criatividade. Segunda: repolho. Terça: repolho com ovo. Quarta: a conversa delicada sobre por que ainda existem dois repolhos na geladeira.
Há vantagens. Ele entende comida simples, não trata uma refeição comum como fracasso e dificilmente reclamaria de apresentação. Há riscos também. Se a sua porção tiver etiqueta de desconto, escreva o nome em letras grandes. O homem que percebe uma ameaça antes de muitos heróis pode não perceber que aquele pote era o seu almoço.
Faxina: força infinita, motivação negociável
O primeiro erro seria entregar a Saitama toda tarefa pesada. Mover sofá? Resolvido. Desentupir uma porta emperrada? A porta talvez passe a existir em duas partes. Apertar um parafuso? Melhor oferecer uma ferramenta e supervisão, porque “com cuidado” significa outra coisa para alguém que abre caminho por concreto.
A limpeza cotidiana seria mais plausível. Ele mantém uma rotina simples e conhece o tédio de ficar em casa, mas poder não cria entusiasmo por rodapé. A divisão justa continuaria necessária: você lava o banheiro, ele aspira a sala, e ambos concordam que monstros derrotados no corredor não contam como levar o lixo.
Os vizinhos seriam o verdadeiro chefe final
A síndica bateria à porta para discutir um ruído às 3h. Saitama tentaria lembrar se foi a chaleira, Genos chegando sem avisar ou um invasor atravessando a parede. O encontro terminaria com um pedido de desculpas sincero e uma explicação impossível de registrar em ata.
Visitas complicariam a logística. Genos ocuparia a mesa com anotações, faria perguntas sobre treinamento e provavelmente tentaria melhorar os eletrodomésticos. King apareceria para jogar e transformaria a sala num campeonato em que o herói invencível descobriria, mais uma vez, que reflexo sobre-humano não garante vitória com controle na mão. Você aprenderia a não apostar dinheiro.
Segurança perfeita, seguro residencial impossível
Assalto e invasão deixariam de preocupar. A sensação duraria até a pergunta seguinte: o que acontece com a caução se Saitama precisar sair pela rota mais curta? Ele salvaria o prédio sem hesitar, mas a parede sacrificada não teria participação nessa decisão.
Essa é a grande contradição da convivência. O colega capaz de eliminar qualquer ameaça não consegue tornar o mundo ao redor previsível. Problemas enormes terminam rápido; os pequenos continuam na pia, no boleto e na mensagem “comprou detergente?”. A força resolve catástrofes. Morar junto exige memória, comunicação e saber qual esponja é da louça.
O contrato seria renovado?
Sim, com três cláusulas adicionais: nada de sparring dentro de casa, aviso prévio antes de Genos instalar qualquer coisa e propriedade individual de alimentos etiquetados. Saitama seria econômico, quieto e surpreendentemente fácil de acompanhar nos dias comuns. Também seria lacônico, pouco atento às cerimônias da convivência e capaz de abandonar uma conversa porque lembrou de uma liquidação.
No fim do mês, vocês sentariam diante das contas. Ele examinaria cada número, encontraria uma cobrança indevida de cinquenta centavos e demonstraria mais indignação do que diante do monstro da semana. Você faria a ligação para a operadora. Saitama salvaria a cidade. A divisão de tarefas finalmente pareceria equilibrada.